Fazer terapia devia ser direito
de todos. Sempre pensei que fazer análise devia ser serviço prestado pelo SUS.
Terapia é muito caro, uma sessão custa em média cem reais. Quem pode pagar?
Apenas pessoas que ganham razoavelmente bem, ou seja, os mais favorecidos na
esfera social. Contudo, há alguns lugares, como universidades, que oferecem
esse serviço a preços mais acessíveis (geralmente com estudantes de
psicologia).
Outra
coisa. Infelizmente em nosso país muitas pessoas (o senso-comum) têm
preconceitos enraizados – desde não sei quando – que mistificam a prática de
ser analisado. A maioria acredita que quem procura ajuda psíquica ou é louco ou
não tem capacidade de resolver os próprios problemas. Mas não é nada disso.
É
muito interessante você marcar um horário, posicionar as suas idéias, falar e,
principalmente, se escutar. O exercício de escutar a si mesmo é o lance mais
importante. Quando paramos e nos escutamos podemos refletir a atitude que
tomamos frente a um determinado problema ou situação. Quem nunca fez terapia
fica imaginando e geralmente não entende quem faz.
Um
alerta importante: se você quiser fazer terapia, procure se informar e
pesquisar se o profissional escolhido é capacitado, e se estudou todas as
vertentes do comportamento humano. Temos que tomar cuidado para não cair em
armadilhas, ou em golpes de pessoas oportunistas.
Aqui
no Brasil temos, em linhas gerais, a Psicoterapia Comportamental; a Breve (foca
no problema atual); a Psicoterapia Corporal (trabalho com o corpo); a
Psicanalística (Freud e seus seguidores) e a Psicoterapia Junguiana (baseada em
Jung, dissidente de Freud).
* * *
Neste
mundo moderno, no qual a velocidade e as relações inter-pessoais são
fragmentadas e interesseiras, a terapia se torna imprescindível. O problema
desta velocidade do mundo moderno em relação à terapia é justamente o seu “tempo
de tratamento”. Muitos acham um absurdo fazer terapia por anos e anos, é mais
fácil tomar um comprimido com ação imediata, dormir e esquecer as suas
angustias, ao invés entender o porquê, o motivo que gera a angustia ou o
trauma.
Temos
temores e inquietações que muitas vezes não sabemos nem de onde surgem. A
solidão nos assola mesmo quando estamos no meio da multidão.
A
modernidade traz esse sentimento de pequenez diante da grandeza do mundo. Não
nos entendemos e nem entendemos o outro. Georg Lukács em seu livro, A teoria do Romance (1916) – mesmo sendo
considerado teoria literária – analisa o homem dentro do contexto das suas
produções literárias; da epopéia ao romance.
Lukács
fala-nos de um tempo em que não
havia necessidade de filosofia, porque todas
as explicações eram encontradas nos mitos. Esse era um tempo sem dúvidas,
portanto, sem necessidade de respostas. O mundo era um universo fechado. Já o
mundo atual ganhou em abrangência e incoerências, e o homem conheceu a solidão. É a ruptura entre o sujeito e seu mundo, o
momento em que a totalidade deve ser buscada, em meio a um ambiente
fragmentado.
Cito esse ensaio de
Lukács por achar pertinente a discussão, e integrar o lado positivo do
tratamento psicológico nos dias de hoje. Porque muitas destas neuroses,
ansiedades e angustias que muitos médicos tratam com anti-depressivos (tarja
preta) podem ser resolvidas na terapia. Na França é assim, o serviço público de
saúde trata muitas patologias com a terapia. Estudos de lá comprovam a eficácia
do tratamento. Fora que reduz custos com medicamentos. O Estado adora redução
de custos e de leitos em hospitais, poderia aderir a terapia para todos!
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