Sim,
movimentos no plural. Descobri que não existe apenas um movimento feminista. Ao
longo da história podemos notar várias manifestações pela igualdade das
mulheres, configurando, assim, no plural.
Na Grécia Antiga a importância das
mulheres era equivalente a dos escravos. Porque cidadão mesmo era só do sexo
masculino e nascido por lá. Somente estes podiam participar da chamada
democracia ateniense e ter a palavra na ágora
(praça principal símbolo da
democracia direta). Ou seja, para as mulheres nada.
Já na
Roma Antiga elas eram consideradas perigosas. Principalmente
quando tentavam reverter a situação vigente. Como no caso do uso dos
transportes públicos. Porque os transportes públicos daquela época eram
restritos aos homens-cidadãos. Mulher não era cidadã, logo, não podia usar esse
serviço. Para todo lugar que a mulher romana queria se locomover tinha que ser
a pé. Revoltadas marcaram hora com o Senado. Expuseram a situação. Mas não deu em nada. Continuaram
a pé. O Senado Romano achou perigoso demais deixarem as mulheres se locomoverem
usando os meios de transportes públicos, pois se abrissem essa exceção logo
elas reivindicariam outras melhorias.
No longo período da Idade Média, ao
contrário do que muitos podem pensar, o espaço de atuação política da mulher era
maior. Elas atuavam em quase todas as profissões, e algumas freqüentavam
universidades. Infelizmente na Renascença houve retrocesso e a caça às bruxas –
milhares de mulheres foram queimadas vivas. Quem não se lembra de Joana d`Arc?
Todas essas primeiras vozes de contestação
feminina que a história moderna registra se dirigem justamente contra a
desigualdade sexual no acesso à educação e ao trabalho. As mulheres não queriam
nada de extraordinário, não queriam tomar o poder de ninguém, apenas queriam e
querem ser iguais.
Uma das formas de resistência e
contestação feminina, não verbal, se configura quanto ao vestuário. É curioso
notarmos que hoje as nossas roupas derivam, em parte, do estilo adotado pelas
mulheres das classes média e operária do século 19, cujo comportamento não
correspondia ao ideal feminino vitoriano da época.
Até no jeito de nos vestirmos tivemos que
ir à luta!
As mulheres do século 19 romperam com o
estilo dominante de vestuário – eficiente para manter fronteiras de gênero –
quando começaram a trabalhar: as roupas tiveram que ser ágeis para facilitar os
movimentos dentro do escritório, por exemplo.
Esse novo estilo, barato e descomplicado,
cruzou as fronteiras de classe. Incorporava peças de roupa masculinas à
vestimenta feminina (mas era distinto do cross-dressing), representava, consciente ou
inconscientemente, uma forma de resistência ao estilo do vestuário dominante.
Representou uma espécie de inversão
simbólica da mensagem dominante do vestuário feminino ao associá-lo ao
masculino. Itens ligados à indumentária masculina ganharam novos significados. A
tão esperada independência feminina estava a caminho. Contudo, o grau de
controle social, na forma de hostilidade e zombaria que elas encontravam nos
espaços públicos, tornou preferível uma forma amena de subversão simbólica:
paletós e gravatas eram combinados com saias em vez de calças.
Somente na segunda metade do século 20 que
as mulheres puderam usar calças. Graças às feministas lésbicas. As feministas dos
anos 60 e 70 opunham-se às roupas da moda. Simone de Beauvoir definia a visão
de moda das feministas, e criticava os discursos manipuladores sobre
feminilidades latentes nos estilos de vestuário.
A primeira manifestação de massa do
movimento de liberação feminina foi dirigida contra o concurso de Miss América
em 1968, mais especificamente contra o estereótipo do corpo feminino como
objeto sexual representado pelo concurso.
De lá para cá estamos em constante luta
para a nossa igualdade.
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