São
Paulo, 28 de Maio.
Saí de Bauru no sábado, rumo à capital, queria ver “gente diferente”, ou se preferirem gente diferenciada. Queria me desligar do trabalho e passear. No domingo iria num show bacana, em um festival da Cultura Inglesa. No entanto, as coisas não foram bem assim. Na madrugada de sábado para domingo fui a um show em Paraisópolis (para quem não sabe Paraisópolis é uma comunidade, uma favela, um bairro de São Paulo, para cada interpretação pode ser uma coisa, para mim: um bairro).
Saí de Bauru no sábado, rumo à capital, queria ver “gente diferente”, ou se preferirem gente diferenciada. Queria me desligar do trabalho e passear. No domingo iria num show bacana, em um festival da Cultura Inglesa. No entanto, as coisas não foram bem assim. Na madrugada de sábado para domingo fui a um show em Paraisópolis (para quem não sabe Paraisópolis é uma comunidade, uma favela, um bairro de São Paulo, para cada interpretação pode ser uma coisa, para mim: um bairro).
Não
vi crise nem drama em ir até lá, ainda
mais que era a inauguração de um bar de um pessoal que conheci num festival de
curtas, cuja premiação foi no CEU (Centro de Educação Unificado), no mesmo
bairro.
Chegamos,
eu, amigos, e o pessoal da banda (convidada para prestigiar o lugar e levar uma
boa música para o bairro).
O
show começou, e nada fora do normal estava acontecendo. Naquele momento, para
mim, a única coisa incômoda era o fato de não ter cadeiras nem mesas, era
realmente o primeiro dia de funcionamento do lugar. O nome? Não sei, nem tinha
ainda. Só sei que ao lado tinha um bar com “funk carioca” rolando e muitas
luzes.
Faltando
cinco músicas para terminar a apresentação a PM chegou. Cinco viaturas. Armas
em punho. O show pára. Conversa vai, conversa vem, e não se chega a uma
conclusão. Fica um clima estranho. Tudo indica que a banda vai poder finalizar
o show. As músicas são apresentadas. E, quando tudo parecia que estava bem,
quando os dois rappers do bairro iriam tocar as suas duas músicas ensaiadas com
a banda... A polícia invade o bar, e imediatamente a minha garganta fecha. Olho
ao redor e ninguém sabe o que está acontecendo, e instintivamente sinalizo para
respirar só pelo nariz. E foi assim que a PM acabou com a minha noite.
Em
vão duas garotas vão tentar entender – conversando com o policial – o que
houve. E ele diz que não teve escolha, que o som estava muito alto. Volte ao
final do quinto parágrafo deste texto, e leia que ao lado havia um bar, “Devassa”,
que estava rolando um funk super alto, lá a polícia não pediu para abaixar o
som, e nem invadiu com spray de pimenta.
Esse
é o nosso país, onde a polícia invade os lugares, entra, exclui e não dá acesso
à cultura. A música que estava tocando era realmente música tocada com o
coração, por músicos que estavam lá dispostos a fazerem o melhor. No entanto, a
total falta de sensibilidade destes policiais me chocou.
Termino
o texto de hoje num desabafo, para que possamos olhar melhor para as
autoridades do nosso país. Certas autoridades não sabem o que é ética, valores,
bom senso. Fico realmente me perguntando se não estava no Tropa de Elite 2, e
aquilo não era uma cena de abuso de milicianos. Por que tanta violência
gratuita? Tenho esperança de que um dia esse tipo de policial seja combatido, e
a sombra da ditadura seja eliminada de nossa sociedade, para que possamos,
realmente, viver numa democracia, onde todos podem se expressar livremente.
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