quarta-feira, 13 de março de 2013

A culpa é de quem?



São Paulo, 28 de Maio. 

Saí de Bauru no sábado, rumo à capital, queria ver “gente diferente”, ou se preferirem gente diferenciada. Queria me desligar do trabalho e passear. No domingo iria num show bacana, em um festival da Cultura Inglesa. No entanto, as coisas não foram bem assim. Na madrugada de sábado para domingo fui a um show em Paraisópolis (para quem não sabe Paraisópolis é uma comunidade, uma favela, um bairro de São Paulo, para cada interpretação pode ser uma coisa, para mim: um bairro).
Não vi crise nem drama em ir até lá,  ainda mais que era a inauguração de um bar de um pessoal que conheci num festival de curtas, cuja premiação foi no CEU (Centro de Educação Unificado), no mesmo bairro.
Chegamos, eu, amigos, e o pessoal da banda (convidada para prestigiar o lugar e levar uma boa música para o bairro).
O show começou, e nada fora do normal estava acontecendo. Naquele momento, para mim, a única coisa incômoda era o fato de não ter cadeiras nem mesas, era realmente o primeiro dia de funcionamento do lugar. O nome? Não sei, nem tinha ainda. Só sei que ao lado tinha um bar com “funk carioca” rolando e muitas luzes.
Faltando cinco músicas para terminar a apresentação a PM chegou. Cinco viaturas. Armas em punho. O show pára. Conversa vai, conversa vem, e não se chega a uma conclusão. Fica um clima estranho. Tudo indica que a banda vai poder finalizar o show. As músicas são apresentadas. E, quando tudo parecia que estava bem, quando os dois rappers do bairro iriam tocar as suas duas músicas ensaiadas com a banda... A polícia invade o bar, e imediatamente a minha garganta fecha. Olho ao redor e ninguém sabe o que está acontecendo, e instintivamente sinalizo para respirar só pelo nariz. E foi assim que a PM acabou com a minha noite.
Em vão duas garotas vão tentar entender – conversando com o policial – o que houve. E ele diz que não teve escolha, que o som estava muito alto. Volte ao final do quinto parágrafo deste texto, e leia que ao lado havia um bar, “Devassa”, que estava rolando um funk super alto, lá a polícia não pediu para abaixar o som, e nem invadiu com spray de pimenta.
Esse é o nosso país, onde a polícia invade os lugares, entra, exclui e não dá acesso à cultura. A música que estava tocando era realmente música tocada com o coração, por músicos que estavam lá dispostos a fazerem o melhor. No entanto, a total falta de sensibilidade destes policiais me chocou.
Termino o texto de hoje num desabafo, para que possamos olhar melhor para as autoridades do nosso país. Certas autoridades não sabem o que é ética, valores, bom senso. Fico realmente me perguntando se não estava no Tropa de Elite 2, e aquilo não era uma cena de abuso de milicianos. Por que tanta violência gratuita? Tenho esperança de que um dia esse tipo de policial seja combatido, e a sombra da ditadura seja eliminada de nossa sociedade, para que possamos, realmente, viver numa democracia, onde todos podem se expressar livremente.

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