segunda-feira, 18 de março de 2013

Ida ao teatro: Obscena Senhora D.


              Impresso sobre a peça impecável. Boa fotografia, bom resumo. Boas expectativas sobre a peça. Há alguns anos sou fã, se assim pode se dizer, de Hilda Hilst (escritora de Jaú, conhecida mais no mundo do que no Brasil). Seria uma honra ver uma encenação de “Obscena Senhora D”.
               Munida do meu ingresso de estudante – sim, ainda sou estudante – fui ao SESC na última quinta-feira. Gosto do SESC acho que lá as coisas funcionam, uma amiga me transportou (lembrem-se ainda estou me reabilitando), parou na vaga de deficientes para eu não ter que andar tanto. E não é que as coisas lá funcionam mesmo!
            Chegamos quinze minutos antes do horário. Como não haviam lugares marcados entrei na fila. Entramos no teatro, aconchegante, com o problema de não ser inclinado, ou seja, quem estava na quarta fileira – meu caso – já não enxergava muita coisa. A Obsecena Senhora D. já estava no palco, mas as luzes ainda estavam acesas. Nisso uma senhora, quase obscena, levanta e faz o seu ato. Dizendo que estava incomodada com o barulho, e que a peça já havia começado (para ela poderia ser). No entanto, a peça não havia começado de fato. Mas a Obscena Senhora D. já provocava o público presente. Isto que é o mais legal e interessante do teatro, ele incomoda, provoca, instiga, e o público participa. O ator encena diante do público mesmo, e não diante de um aparato tecnológico, como os atores de cinema e tv.
            Apagaram-se as luzes e a peça começou. Todo um frisson tomou conta daquela sala, as pessoas estavam inquietas e não sabiam qual reação ter diante da atriz que encenava Hillé ou Senhora D. Alguns riam, outros ficavam parados. A minha dúvida é se riam porque achavam engraçado ou por achar que deveriam rir. Logo as indagações metafísicas surreais tomaram o tom: "E o que foi a vida? Uma aventura obscena, de tão lúcida". As pessoas presentes se inquietavam nas poltronas, tentavam entender o monólogo que estava diante dos seus olhos. A atriz provocava, estava impecável como a obscena. No vão da escada de sua casa escura, essa obscena Senhora D. nos contempla através dos buracos dos olhos das máscaras. Para falar "dessa coisa que não existe mas é crua e viva, o Tempo", para cuspir em nosso rosto a pequenez, a perdição humana, para dizer que "ninguém está bem, estamos todos morrendo". Enquanto se dissolvem no aquário peixes pardos recortados em papel. O monólogo aguça ainda mais a imaginação do público, temos que montar mentalmente a narrativa e as cenas. Contudo a peça não fica cansativa e nem vulgar, apesar de obscena. Sons, gritos, urros, rouquidões. Impossível aventurar-se no texto de Hilst sem entrega. Inútil munir-se apenas das armas da razão. Hipnótico, o discurso envolve como águas – às vezes lodosas, às vezes claras – e numa vertigem nos arrasta, de susto em susto, cada vez mais para perto daquilo onde tudo pode acontecer. Traiçoeiras e sensuais, as palavras ofegam e palpitam, como se tivessem carne, sangue, músculos, nervos, ossos. Sempre se pode gostar de porcos. Gostar de gente, também. Espero que depois de terem assistido a essa peça ninguém tenha saído ileso. Como não se sai, afinal, da própria vida.

Terapia para todos!


              Fazer terapia devia ser direito de todos. Sempre pensei que fazer análise devia ser serviço prestado pelo SUS. Terapia é muito caro, uma sessão custa em média cem reais. Quem pode pagar? Apenas pessoas que ganham razoavelmente bem, ou seja, os mais favorecidos na esfera social. Contudo, há alguns lugares, como universidades, que oferecem esse serviço a preços mais acessíveis (geralmente com estudantes de psicologia).
            Outra coisa. Infelizmente em nosso país muitas pessoas (o senso-comum) têm preconceitos enraizados – desde não sei quando – que mistificam a prática de ser analisado. A maioria acredita que quem procura ajuda psíquica ou é louco ou não tem capacidade de resolver os próprios problemas. Mas não é nada disso.
                     É muito interessante você marcar um horário, posicionar as suas idéias, falar e, principalmente, se escutar. O exercício de escutar a si mesmo é o lance mais importante. Quando paramos e nos escutamos podemos refletir a atitude que tomamos frente a um determinado problema ou situação. Quem nunca fez terapia fica imaginando e geralmente não entende quem faz.
              Um alerta importante: se você quiser fazer terapia, procure se informar e pesquisar se o profissional escolhido é capacitado, e se estudou todas as vertentes do comportamento humano. Temos que tomar cuidado para não cair em armadilhas, ou em golpes de pessoas oportunistas.
              Aqui no Brasil temos, em linhas gerais, a Psicoterapia Comportamental; a Breve (foca no problema atual); a Psicoterapia Corporal (trabalho com o corpo); a Psicanalística (Freud e seus seguidores) e a Psicoterapia Junguiana (baseada em Jung, dissidente de Freud).
                                                                *  *  *
            Neste mundo moderno, no qual a velocidade e as relações inter-pessoais são fragmentadas e interesseiras, a terapia se torna imprescindível. O problema desta velocidade do mundo moderno em relação à terapia é justamente o seu “tempo de tratamento”. Muitos acham um absurdo fazer terapia por anos e anos, é mais fácil tomar um comprimido com ação imediata, dormir e esquecer as suas angustias, ao invés entender o porquê, o motivo que gera a angustia ou o trauma.
            Temos temores e inquietações que muitas vezes não sabemos nem de onde surgem. A solidão nos assola mesmo quando estamos no meio da multidão.
            A modernidade traz esse sentimento de pequenez diante da grandeza do mundo. Não nos entendemos e nem entendemos o outro. Georg Lukács em seu livro, A teoria do Romance (1916) – mesmo sendo considerado teoria literária – analisa o homem dentro do contexto das suas produções literárias; da epopéia ao romance.
            Lukács fala-nos de um tempo em que não havia necessidade de filosofia, porque todas as explicações eram encontradas nos mitos. Esse era um tempo sem dúvidas, portanto, sem necessidade de respostas. O mundo era um universo fechado. Já o mundo atual ganhou em abrangência e incoerências, e o homem conheceu a solidão. É a ruptura entre o sujeito e seu mundo, o momento em que a totalidade deve ser buscada, em meio a um ambiente fragmentado.
            Cito esse ensaio de Lukács por achar pertinente a discussão, e integrar o lado positivo do tratamento psicológico nos dias de hoje. Porque muitas destas neuroses, ansiedades e angustias que muitos médicos tratam com anti-depressivos (tarja preta) podem ser resolvidas na terapia. Na França é assim, o serviço público de saúde trata muitas patologias com a terapia. Estudos de lá comprovam a eficácia do tratamento. Fora que reduz custos com medicamentos. O Estado adora redução de custos e de leitos em hospitais, poderia aderir a terapia para todos!

Experiência empírica


          Estava pensando no decorrer destes dias no que escrever. O que seria interessante e ao mesmo tempo enriquecedor? De sexta para cá estive zanzando por ai e acabei encontrando o meu tema.
            Como eu já disse em um texto anterior, “estou meio paradinha”, por causa de uma cirurgia no joelho que eu me submeti há quase 30 dias. Desta forma, sou uma “deficiente” temporária (já posso circular por aí com a minha muletinha).
              Mas aonde eu quero chegar contando a vocês sobre a minha vida pessoal? Chegarei lá.
            Na última sexta-feira, fui com a nossa colunista Camila à casa noturna Santa Madalena prestigiar a banda bauruense Move Over. Achei que seria moleza. Logo na entrada fui surpreendida com o primeiro obstáculo: uma escada!
            Subi com a ajuda da minha fiel muleta e com a paciência da Camila.
            O segundo obstáculo era cruzar o bar rumo ao camarim da banda.
            Na minha cabeça as pessoas iriam ver que eu estava de muleta e abririam caminho. Tolice. Tinha que parar e cutucar as pessoas para poder abrir caminho.
            No fim da noite fomos pagar os cartões de consumo, e uma garota pediu para passar na minha frente, eu deixei, a Camila ficou indignada com a falta de bom senso da menina.
            No dia seguinte fiquei pensando sobre a minha aventura. E cheguei à triste conclusão de que um cadeirante, logo de cara, já não poderia assistir ao show da Move Over. A casa noturna, como muitas outras – para não falar todas – não tem acesso para deficientes. Uma pessoa que é impossibilitada de subir escadas teria que ser carregada para ter acesso ao palco. Na minha opinião, seria um tipo de humilhação depender de alguém para entrar em uma balada. Seria muito mais justo e humano ter acesso facilitado.
            Conversando com um amigo advogado, ele afirmou que casas noturnas, bares, enfim, lugares que as pessoas freqüentam, só terão obrigatoriedade por lei em facilitar o acesso em 2013. Até lá as pessoas portadoras de necessidades especiais ficam sem ir à esses lugares?
            No domingo tive outra experiência, que seria normal e corriqueira: fui ao supermercado. Como ainda não posso dirigir fui com a minha mãe. Falei para ela parar na vaga de deficientes. Justo, já que tenho certa dificuldade em caminhar. O supermercado Confiança Max possui duas vagas para deficientes ao lado do quiosque do MacDonald’s, o que leva a maioria das pessoas pensarem que são vagas que ninguém usa, e não há mal nenhum em estacionar ali. No lado oposto do estacionamento há vagas para idosos, e eu vi muitos não-idosos estacionados ali.
            Essas atitudes me levam a crer que as pessoas não têm bom-senso. O bom-senso nos dias de hoje é uma postura tão cara, que se configura como uma Virtude.
            Enfim, entrei no mercado e fiz a compra. Só que no decorrer me deu vontade de ir ao banheiro (coisa mais normal do mundo): outro transtorno.
            Estava perto das bebidas e entrei no banheiro mais próximo, e era para deficientes. Claro que estava trancado à chave (nada pode ser fácil nesta vida). Pedi ao funcionário a chave, que mais parecia um bem precioso guardado em cofre. Cinco minutos depois ele aparece (contei no relógio). Numa dessas se estivesse muito apertada...
            Achei que a missão “banheiro” já estava concluída quando olhei para o vaso sanitário e estava totalmente sujo (eu sei que não é legal falar sobre isso). Usem a criatividade e imaginem o “sujo”. A missão foi abortada por motivos óbvios.
            Muitos podem pensar: O que essa menina quer saindo por ai? Por que não fica em casa? Ela está doente, não pode sair. Mas a verdade é que não estou doente, estou me recuperando, e parte da minha reabilitação é ter uma vida normal. O problema é que a configuração da mentalidade da nossa sociedade dificulta ainda mais o que já é difícil.
            Vamos tentar ser menos egoístas, porque não sabemos o que nos aguarda no futuro.

Preguiça das relações


                Hoje em dia temos – nitidamente – preguiça em nos relacionarmos com as pessoas. É muito mais fácil ficarmos reclusos no mesmo “grupinho” e não nos aventurarmos em novas relações pessoais (reais).
            Um dos fatores que elevam o índice das pessoas não se interessarem mais no conhecer, no relacionar-se é a Internet. Mas aí você pode dizer: Mas com a Internet podemos conhecer pessoas, mandar e-mails, bater-papo. Sim, podemos fazer tudo isso e muito mais. Contudo as relações são superficiais.
               Não há o contato, a troca de olhares ou a cumplicidade de uma relação mutua entre as pessoas. Esse contato verdadeiro, não virtual, está cada vez mais escasso, as pessoas se limitam, e essa limitação é confortável. Se não queremos falar com determinada pessoa, ao invés de resolvermos o nosso problema com ela, simplesmente, a bloqueamos ou deletamos.
               A Internet é uma ferramenta, e não uma condição para nos inter-relacionarmos uns com os outros. Ela limita e corrompe. Porque o que fazemos no mundo virtual queremos transpor para a realidade. A realidade, que deve ser tomada como verdade, está sendo subjugada pela virtualidade.
             Outro problema do mundo virtual está ligado à criminalidade. A maioria das pessoas acredita que as leis do mundo real não se aplicam ao mundo virtual. Criam um avatar, um fake, e podem tudo. Estão legalmente protegidos em suas casas diante do aparato tecnológico. É a partir desta mentalidade que casos de pedofilia cresceram tanto. A pedofilia sempre existiu no mundo, esse tipo de perversão é antiguíssimo. Mas com as possibilidades oferecidas pela virtualidade, a pedofilia, aumentou. Em uma reportagem do programa CQC (exibido as segundas, pela Band), na qual simulavam o quarto de uma adolescente de 15 anos, numa sala de bate-papo, vários homens maduros procuravam falar com a menina, e o único assunto era sexo e a exibição do órgão genital para sexo virtual. No mínimo asqueroso.
            A meu ver isso é resultado dessa preguiça das relações, é muito mais fácil sexo virtual do que real, para pessoas sem conteúdo e com esse grau de perversão.
            Os e-mails, por exemplo, são uma ótima ferramenta. Não apenas para nos comunicarmos, mas para divulgarmos eventos também. O perigo é o de se tornar uma forma para não se indispor com as pessoas, como nos bate-papos. Como assim? Ao invéz de solucionarmos uma situação frente-a-frente, mandamos um e-mail. É uma forma rápida de não ignorar o outro e ao mesmo tempo se livrar da situação indesejada. O perigo é se instaurar uma frieza, comparada ao fascismo.
            As pessoas preferem dizer, “melhor não”, do que serem autênticos e sinceros. Acreditam que seja melhor falar por meias verdades do que na totalidade da verdade. Isso demonstra um traço de falta de personalidade. É mais fácil agir desta forma, porque conviver é difícil.
            Viver em sociedade é comprometer-se. Fundamentalmente se comprometer com o outro, porque ninguém, por mais que queira, consegue viver sozinho e isolado completamente.
         Nos dias de hoje esse comprometer-se é substituído de forma “higiênica”, pelos aparatos tecnológicos.  E também, por causa do alto índice de criminalidade nos fechamos ainda mais. Não damos mais as mãos com medo de que nos levem o braço. Contudo, se pensarmos desta forma ficaremos sem nos relacionarmos. Como na letra exemplar de rap, A vida é desafio, dos Racionais Mc’s: “mundo moderno, as pessoas não se falam, ao contrário, se calam, se pisam, se traem, se matam”. Temos que mudar essa realidade, antes que nos tornemos seres não humanos.
            

Qual o valor?


              Há algum tempo estou lendo um livro do Dostoievski, Os Demônios. Digo algum tempo remetendo um longo período, coisa que não é da minha preferência. Gosto de começar e terminar rapidamente as minhas leituras. Contudo, com tantas coisas e “prioridades” o livro não ficou nem em segundo, mas em décimo plano.
             Como algumas pessoas que me cercam já sabem, estou paradinha – literalmente parada – por conta de uma cirurgia. Aí que a leitura volta a ter um destaque.
         Enfim, pela manhã, lendo, encontrei uma passagem muito sugestiva para os nossos dias, que demonstra toda a atualidade e genialidade profética de Dostoievski (um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos). A passagem é a seguinte:
            “Toda a dúvida está apenas em saber: o que é mais belo, Shakespeare ou um par de botas, Rafael ou o petróleo?”
            A frase me deixou, literalmente, de orelha em pé.
            A título de esclarecimento, o livro Os demônios foi escrito através da motivação de um episódio verídico: o assassinato do estudante russo I. I. Ivanov pelo grupo niilista (em linhas gerais é a desvalorização e a morte do sentido, a ausência de finalidade e de resposta ao “porquê”) liderado por S. G. Nietcháiev em 1869. Um ano depois o livro foi concebido, com fins assumidamente panfletários.  
            O autor analisando o crime cometido pelo grupo niilista profetiza o que acontecerá posteriormente no século 20. Ele consegue vislumbrar os cruéis fanatismos de Hitler e Stálin. Desta forma, os demônios do título do livro são traduzidos como a violência, a ignorância, o terrorismo e a impostura ideológica. Estes demônios alegóricos mesmo no nosso século, o 21, continuam vivos sob novos disfarces.
            Mas e a frase que eu escolhi? Por que me deixou de orelha em pé?
            Em minha opinião ela retrata não só o que se passava nas pessoas, ditas práticas, do final do século 19. Mas ainda em nosso tempo muitos pensam: o que é mais importante, uma obra de arte ou um barril de petróleo?
            O belo, o moralmente belo, está há muito tempo em decadência. Muitos – e muitos que eu digo podem se dizer muitos povos – se importam muito mais com as cifras e o poder do capital, do que com a beleza.
            Shakespeare não tem a mesma utilidade – e ser útil é muito importante – de um par de botas. O importante é o valor de uso, de uso literal. Assim muitos podem achar mais importante um par de botas do que ler e entender, efetivamente, Shakespeare.
            Mas por qual motivo deixamos de acreditar no abstrato em nome do útil?
            Passamos a dar mais valor àquilo que é útil, na medida em que o capital se tornou essencial. Quando passamos a nos sentir bem consumindo um produto concreto. Ou seja, um produto que podemos mostrar às outras pessoas. A sociedade capitalista tornou-se exibicionista e arrogante.
            Seguindo essa linha, não podemos mostrar, de fato, o livro de Shakespeare que acabamos de ler. Mas podemos mostrar o carro zero km., financiado em várias parcelas. É isso o que realmente importa, infelizmente, em nossa sociedade. Mesmo se você não tenha dinheiro para pagar todas as parcelas do financiamento, quem se importa? Mas você está figurando pelas ruas com o seu carro zero.
            Na sociedade contemporânea capitalista é assim. Já afirmava Guy Debord no seu livro A sociedade do espetáculo (1967), a mercadoria virou espetáculo. A arte e a beleza não cumprem mais o seu papel conciliador na sociedade.
         Debord explica que o espetáculo é uma forma de sociedade em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obrigados a contemplar e a consumir passivamente as imagens e as mercadorias de tudo o que lhes falta em sua existência real. Fica a reflexão: Como mudar algo já estabelecido e consentido por todos?

Os Movimentos Feministas: resistências verbais e não verbais


        Sim, movimentos no plural. Descobri que não existe apenas um movimento feminista. Ao longo da história podemos notar várias manifestações pela igualdade das mulheres, configurando, assim, no plural.
      Na Grécia Antiga a importância das mulheres era equivalente a dos escravos. Porque cidadão mesmo era só do sexo masculino e nascido por lá. Somente estes podiam participar da chamada democracia ateniense e ter a palavra na ágora (praça principal símbolo da democracia direta). Ou seja, para as mulheres nada.
      Já na Roma Antiga elas eram consideradas perigosas. Principalmente quando tentavam reverter a situação vigente. Como no caso do uso dos transportes públicos. Porque os transportes públicos daquela época eram restritos aos homens-cidadãos. Mulher não era cidadã, logo, não podia usar esse serviço. Para todo lugar que a mulher romana queria se locomover tinha que ser a pé. Revoltadas marcaram hora com o Senado. Expuseram a situação. Mas não deu em nada. Continuaram a pé. O Senado Romano achou perigoso demais deixarem as mulheres se locomoverem usando os meios de transportes públicos, pois se abrissem essa exceção logo elas reivindicariam outras melhorias.
      No longo período da Idade Média, ao contrário do que muitos podem pensar, o espaço de atuação política da mulher era maior. Elas atuavam em quase todas as profissões, e algumas freqüentavam universidades. Infelizmente na Renascença houve retrocesso e a caça às bruxas – milhares de mulheres foram queimadas vivas. Quem não se lembra de Joana d`Arc?
      Todas essas primeiras vozes de contestação feminina que a história moderna registra se dirigem justamente contra a desigualdade sexual no acesso à educação e ao trabalho. As mulheres não queriam nada de extraordinário, não queriam tomar o poder de ninguém, apenas queriam e querem ser iguais.
      Uma das formas de resistência e contestação feminina, não verbal, se configura quanto ao vestuário. É curioso notarmos que hoje as nossas roupas derivam, em parte, do estilo adotado pelas mulheres das classes média e operária do século 19, cujo comportamento não correspondia ao ideal feminino vitoriano da época.
      Até no jeito de nos vestirmos tivemos que ir à luta!
      As mulheres do século 19 romperam com o estilo dominante de vestuário – eficiente para manter fronteiras de gênero – quando começaram a trabalhar: as roupas tiveram que ser ágeis para facilitar os movimentos dentro do escritório, por exemplo.
      Esse novo estilo, barato e descomplicado, cruzou as fronteiras de classe. Incorporava peças de roupa masculinas à vestimenta feminina (mas era distinto do cross-dressing), representava, consciente ou inconscientemente, uma forma de resistência ao estilo do vestuário dominante.
      Representou uma espécie de inversão simbólica da mensagem dominante do vestuário feminino ao associá-lo ao masculino. Itens ligados à indumentária masculina ganharam novos significados. A tão esperada independência feminina estava a caminho. Contudo, o grau de controle social, na forma de hostilidade e zombaria que elas encontravam nos espaços públicos, tornou preferível uma forma amena de subversão simbólica: paletós e gravatas eram combinados com saias em vez de calças.
      Somente na segunda metade do século 20 que as mulheres puderam usar calças. Graças às feministas lésbicas. As feministas dos anos 60 e 70 opunham-se às roupas da moda. Simone de Beauvoir definia a visão de moda das feministas, e criticava os discursos manipuladores sobre feminilidades latentes nos estilos de vestuário.
      A primeira manifestação de massa do movimento de liberação feminina foi dirigida contra o concurso de Miss América em 1968, mais especificamente contra o estereótipo do corpo feminino como objeto sexual representado pelo concurso.
      De lá para cá estamos em constante luta para a nossa igualdade.
     




Acreditar é preciso


             Acreditar em sonhos, e sonhar, é imprescindível para mantermos a esperança de vivermos buscando sempre a felicidade, porque ela nos mantém vivos. Quando o tempo fecha, não podemos nos abater, temos que ter coragem para seguirmos sempre em frente. Um dos pilares que solidificam as nossas bases para termos coragem é a família, fonte de amor. O amor é a única verdade universal, mantém a fé.
             Estamos a cada dia nos esquecendo dos verdadeiros valores e virtudes dos seres humanos. E, desta forma, nos esquecendo de cultivar nas crianças – na educação – a idéia de pensar no futuro, ou seja, à longo prazo. Desde o nascimento as crianças não sentem nem ódio e nem ganância, a sociedade que acaba moldando esses valores e corrompendo. Já dizia o filosófico: “O homem por natureza é bom, a sociedade que o corrompe”. Se continuarmos nesse ritmo até as crianças serão corrompidas, desde muito pequenas, por esse mundo que só preza o consumo, o material e a aparência.
            Quem tem muito quer ter mais, quem não tem nada quer ter algo. Esse ter, adquirir, possuir, é sempre o capital: o dinheiro. Hoje em dia, mais do que em qualquer outro tempo, em qualquer outra época, o dinheiro tornou-se o regulador moral das pessoas, da índole das pessoas.
              Nessa busca sem valores pela felicidade esses indivíduos se perdem no caminho de suas vidas: “O rico teme perder a fortuna, o desempregado se afunda”. Os fracos se viciam nos entorpecentes, nos jogos e na banalidade. A ambição cega. O caminho da vida acaba sendo totalmente incerto.
             As pessoas não falam mais a língua do amor, só a da ambição e da falsa união. Passam por cima uns dos outros se esquecendo que somos iguais, pares, irmãos. Nesse mundo da velocidade, infelizmente, o que vale é ser como um carro desgovernado, como aquele que não vê nada à sua frente. As pessoas se esbarram e se olham com agressividade, com preconceito, com soberba. Na maioria das cidades é assim, você espera um afeto e só vem preconceito, hostilidade e pressa, muita pressa. No fundo as pessoas, no seu íntimo, sonham com a liberdade, em ficar longe da maldade.   
            Não existe classe social para sonhar com justiça, honradez e felicidade. Quem mora num barraco de um cômodo, com uma janela, também tem os mesmos direitos. (infelizmente não é isso que acontece na realidade). Na real quem mora num barraco é sempre marginalizado. Não adianta se esforçar, será sempre um excluído. O futuro de quem mora num barraco será ser jogador de futebol, lutador de boxe ou laranja do tráfico. Nem o sonho lhe é de direito. E quando sonha não consegue ir muito além de sua realidade: sonha com uma medalha, com uma garota bonita, com o almejado lugar ao sol. Sonha com essas coisas porque não tem estudo, não tem educação.
            Há mais de 500 anos o Brasil nutre esse formato socioeconômico, no qual ricos permanecem ricos e pobres permanecem pobres, e a população média flutua neste universo.
           Contudo, a vida não pode ser encarada como um obstáculo incessante, e sim como uma lição a ser vencida e aprendida a cada dia.
          A criminalidade não pode ser desculpa para as mazelas do nosso país. É claro que com essa realidade é bem mais fácil roubar do que estudar, mas ninguém disse que vencer e ter virtudes é algo fácil. Ser uma pessoa moralmente boa é dever, um dever ser. Uma lei moral a ser seguida, para vivermos em harmonia.
            A vida é aprendizado, temos que ser persistentes para podermos alcançar as metas estabelecidas através dos nossos sonhos.