quarta-feira, 13 de março de 2013

Fiquei uma semana sem celular




            Fui furtada, ou pode até ser que perdi o celular, no último dia 10, uma sexta-feira. Enfurecida, resolvi ficar uma semana sem celular. Foi aí que coloquei em prática a minha experiência empírica: ficar uma semana sem celular.
            O primeiro dia foi extremamente estranho, parecia que uma parte de mim tinha sido amputada. Parece ridículo, mas é verdade, porque somos completamente dependentes deste aparelho tecnológico, que liberta, mas também aprisiona, que facilita e escraviza.
            Há quem diga que o celular é uma extensão do corpo humano, que pode nos confortar e “ser companheiro”. Para Lúcia Santaella, quando queremos compreender as funções exercidas pelos dispositivos móveis precisamos ter uma visão ampla e histórica que compreenda a evolução dos meios de comunicação e da sociedade. "No Japão, por exemplo, o celular na verdade é a chave da casa, cartão de crédito, telefone, conexão com a internet.[...] Pra se ter uma ideia, a produção de narrativas no Japão, foi para o celular." Por isso mesmo, ela ainda defende que os celulares são verdadeiras "máquinas de produzir linguagem".
Hoje estamos inseridos dentro do que chamamos cultura da mobilidade, onde todos os que estão inseridos nos centros urbanos vivem e realizam suas ações sempre em mobilidade. "Mesmo parados, estamos em movimento, pois temos aparelhos que nos permitem estar aqui e lá ao mesmo tempo. Eles nos dão esse dom da ubiqüidade", comenta Santaella. 
            Mas o que eu quero ressaltar é que para mim não foi difícil, só foi “estranho”. E que agora, passados 10 dias, eu já havia me habituado a ficar sem ele, no entanto, noto que as pessoas ao meu redor é que não se habituaram e ficaram me pressionando para que eu comprasse logo um novo aparelho. Amigos, contatos e paqueras ficaram me perguntando quando eu iria comprar outro celular. Noto que preocupação é muito maior da parte deles, porque eu ia seguindo o meu caminho mais livre.
            No entanto, como vivemos em sociedade, em uma cultura do movimento, da mobilidade, da acessibilidade, tive que me render, e ontem comprei um celular novo, de penúltima linha, com todas as vantagens que este pequeno aparelho de fetiche pode nos oferecer.
            É bom destacar que foi “fácil” ficar sem celular, mas nem me imagino ficando totalmente sem internet, e sem o número dos celulares das outras pessoas.
            O próximo passo para a minha experiência empírica seria ficar sem internet. Mas só de pensar nesta hipótese já me dá calafrios. Não conseguiria, mesmo tendo convicção de que o homem se adapta a qualquer situação.

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