Fui furtada, ou pode até ser que perdi o celular, no
último dia 10, uma sexta-feira. Enfurecida, resolvi ficar uma semana sem
celular. Foi aí que coloquei em prática a minha experiência empírica: ficar uma
semana sem celular.
O primeiro dia foi extremamente estranho, parecia que uma
parte de mim tinha sido amputada. Parece ridículo, mas é verdade, porque somos
completamente dependentes deste aparelho tecnológico, que liberta, mas também
aprisiona, que facilita e escraviza.
Há quem diga que o celular é uma extensão do corpo
humano, que pode nos confortar e “ser companheiro”. Para Lúcia Santaella,
quando queremos compreender as funções exercidas pelos dispositivos móveis
precisamos ter uma visão ampla e histórica que compreenda a evolução dos meios
de comunicação e da sociedade. "No Japão, por exemplo, o celular na
verdade é a chave da casa, cartão de crédito, telefone, conexão com a
internet.[...] Pra se ter uma ideia, a produção de narrativas no Japão, foi
para o celular." Por isso mesmo, ela ainda defende que os celulares são
verdadeiras "máquinas de produzir linguagem".
Hoje
estamos inseridos dentro do que chamamos cultura da mobilidade, onde todos os
que estão inseridos nos centros urbanos vivem e realizam suas ações sempre em
mobilidade. "Mesmo parados, estamos em movimento, pois temos aparelhos que
nos permitem estar aqui e lá ao mesmo tempo. Eles nos dão esse dom da ubiqüidade", comenta Santaella.
Mas o que eu quero ressaltar é que para mim não foi
difícil, só foi “estranho”. E que agora, passados 10 dias, eu já havia me
habituado a ficar sem ele, no entanto, noto que as pessoas ao meu redor é que
não se habituaram e ficaram me pressionando para que eu comprasse logo um novo
aparelho. Amigos, contatos e paqueras ficaram me perguntando quando eu iria
comprar outro celular. Noto que preocupação é muito maior da parte deles,
porque eu ia seguindo o meu caminho mais livre.
No entanto, como vivemos em sociedade, em uma cultura do
movimento, da mobilidade, da acessibilidade, tive que me render, e ontem
comprei um celular novo, de penúltima linha, com todas as vantagens que este
pequeno aparelho de fetiche pode nos oferecer.
É bom destacar que foi “fácil” ficar sem celular, mas nem
me imagino ficando totalmente sem internet, e sem o número dos celulares das
outras pessoas.
O próximo passo para a minha experiência empírica seria
ficar sem internet. Mas só de pensar nesta hipótese já me dá calafrios. Não
conseguiria, mesmo tendo convicção de que o homem se adapta a qualquer
situação.
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