Nesta semana decidi falar
especificamente de Filosofia, em especial, de uma “ramificação filosófica”
contemporânea que discute temas relativos às condições de produção e recepção
dos bens culturais sob a regência do capitalismo tardio, sobretudo, após a
segunda metade dos anos 1930.
Esta
“ramificação filosófica” – que no Brasil ficou conhecida como Escola de
Frankfurt (nome da cidade alemã que abrigava o instituto) – era formulada pelos
teóricos críticos que integravam o Instituto de Pesquisas Sociais. Horkheimer
(então diretor do Instituto) inovou propondo uma “Filosofia Social”. Adorno que
teorizou também sobre música. Herbert Marcuse, conhecido como “o filósofo”. Os “companheiros
de viagem”, ou seja, aqueles que participaram de forma incisiva, porém não
oficial: Walter Benjamin e Erich Fromm (entre outros).
Poderia
me remeter a várias ramificações deste pensamento filosófico, aqui ressaltarei
o lado estético, ou melhor, a nova guinada estética que ocorre nos anos 1930 e
que ainda hoje tem influência na vida intelectual, traduzindo o clima criado
pelo nascimento da arte moderna e pela irrupção dos movimentos de vanguarda.
Contextualizando.
Todos esses pensadores abasteceram-se nas mesmas fontes filosóficas: no Idealismo
e no Romantismo Alemão, de Kant, Hegel, Fichte e Schopenhauer. Todos naquela
época lêem Marx, Nietzsche e Freud. Todos são afetados pelos temas do declínio,
da decadência das crises que concernem tanto às ciências, ao conhecimento, aos
valores tradicionais e às antigas certezas, quanto às artes e à cultura.
Neste
mesmo período alguns filósofos dataram o início da decadência numa perversão da
razão nascida a partir do século das Luzes, porém, encontram os primeiros
sintomas da doença inerentes à racionalidade de Homero. É neste clima que surge
o livro emblemático e multidisciplinarmente conhecido: A Dialética do Esclarecimento (1947).
Redigido
por Adorno e Horkheimer nos EUA (quando estavam exilados por conta do nazismo
na Alemanha), constitui-se como uma das obras fundamentais e mais citadas da
Teoria Crítica. Nela os autores interrogam-se sobre o devir da arte e da
cultura em geral na sociedade moderna.
Nos
Estados Unidos os dois filósofos assistem ao prodigioso desenvolvimento das
mídias, do cinema, da imprensa, do disco, da publicidade. A democratização
cultural instaura o controle de uma nova forma de racionalidade, a da economia.
É
neste livro que os autores forjam a famosa expressão de “Indústria Cultural”,
para designar o aparecimento de uma cultura estandardizada, condicionada e
comercializada segundo os modelos de bens de consumo. Caracteriza-se pela distribuição
dos bens culturais, no qual o conceito de Cultura é rebaixado e é consolidada a
cultura de massa.
Assim,
o cinema e o rádio não passam de negócios, não são arte. Adorno e Horkheimer
afirmam que “os automóveis, as bombas e o cinema mantém coeso o todo”.
Portanto, a lógica da indústria cultural é tão necessária quanto a lógica
econômica e bélica.
A Indústria Cultural, ainda nos dias de hoje, demonstra
claramente que permanecemos neste nível cultural, massificado e industrialmente
distribuído pelos estúdios de cinema, pelas emissoras de televisão, pelo rádio
– e agora pela internet.
Após
62 anos da publicação deste texto a nossa sociedade continua atrelada
moralmente à indústria do entretenimento. Nada escapa a essa indústria. Dos
vídeos do You Tube aos filmes cults
iranianos. De Hollywood à Bollywood.
O
que nos resta é fazer crítica séria e tentar uma emancipação. A crítica deve
ser imanente, feita dentro da própria estrutura capitalista, para sairmos dessa
planificada cultura.
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