terça-feira, 13 de novembro de 2012

Questão sempre atual da morte


                   A questão da morte pode ser discutida hoje no sentido, também, da morte de si. A morte de si no sentido da finitude do Seu Ser, do Seu Existir. Coloco em maiúsculas para ressaltar a individualidade, do SEU, do MEU, porque é assim que nos entendemos e nos vemos desde o fim da Revolução Francesa, como indivíduos. Somos guiados pela Razão, e essa Razão é individual e própria da autonomia de cada um.
                 O mistério da finitude, sempre foi objeto de reflexões filosóficas. Vida e morte são dualidades que aparecem como figuras primordiais da constituição de um sujeito histórico cindido. E é justamente através dessa percepção da finitude que o ser humano é levado a procurar compreender, com todos os meios possíveis, o sentido de sua existência. Como afirmou o filósofo pré-socrático Heráclito, só sabemos o que é vida, porque há a morte, os pares de opostos se completam para completarem a nossa essência, portanto, a morte deve ser encarada com naturalidade, mas não o fazemos.
            Outro ponto de vista sobre a questão da morte pode ser ilustrado a partir do filme “Bravura Indômita” (True Grit, EUA, 2010), que narra a história de uma adolescente que procura vingar o assassinato de seu pai, indo atrás do bandido, contratando um justiceiro. A adolescente é a própria encarnação da bravura, da coragem destemida, da determinação.
Mas o ponto que eu achei muito interessante foi a relação com a morte. O filme mostra como no velho oeste norte-americano a morte era encarada com naturalidade. Era como um rito natural, coisa que hoje em dia não encaramos mais com tanta naturalidade, apesar de sabermos que é uma certeza inevitável.
            A naturalidade da morte no filme pode ser evidenciada na passagem em que a garota assiste a uma execução por enforcamento, na qual muitas pessoas vinham de cidades vizinhas para assistir, como se fosse uma ida ao cinema, por exemplo. Não havia julgamento moral acerca da condenação era mais como espetáculo culturalmente aceito.
            No livro, “Mortes Vitorianas” de Juliana Schmitt, no capítulo 3, há relatos e fotos do mesmo período do filme, em que a morte do outro chegou a ser até cultuada em fotos. Como? Crianças, jovens e adultos foram fotografadas “post mortem”, isso era uma prática muito comum, alimentada pelo apego ao morto e o desejo de registrar seu último momento de convívio. De alguma maneira, a foto assegurava que o cadáver está vivo enquanto cadáver; é a imagem viva da coisa morta. O corpo é eternizado e tornado imortal. Eis o grande sonho do homem, ser imortal. Ter a ilusão de que este mundo é passagem para um outro mundo, da eternidade, porque somos arrogantes e não queremos acreditar que a vida se encerra nesta vida. É mais fácil e consolador acreditar nisto.

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