Estava
assistindo um filme no Corujão. Estava totalmente despretensiosa quanto à
qualidade do filme... Eis que não só o filme era bom, como, também, me
despertou o interesse quanto à questão feminina na Ciudad de Juarez, no México.
O filme era, “Cidade do Silencio”, com Jennifer Lopez (que ganhou prêmio da
anistia internacional pela atuação). Suspeita-se de
bloqueios na rede de distribuição. Isso tem sentido, já que eu assisti só na
madrugada.
Muitas
vezes pensamos, ingenuamente, que as situações
limite, de urgência, são exclusividades do continente Africano ou de países em
guerra. Porém, temos que pensar nos lugarejos do mundo, como esta cidade, ou
tantos outros “buracos” do mundo esquecidos.
Se “jogarmos” no
Google: Ciudad de Juarez, logo veremos que esta é, considerada, a cidade mais
perigosa do mundo.
Em um site de
turismo aparece:
“Se o seu roteiro de viagens inclui uma parada em Ciudad Juarez, no México, talvez seria melhor
saber que de acordo com a Citizen’s Council for Public Security, uma associação
que se ocupa da defesa de vítimas de delitos, esta seria a cidade mais violenta
do mundo, com 191 homicídios a cada 100 mil habitantes”.
A cidade fica ao norte do México, no estado
de Chihuahua, fronteira com o Texas. Cerca de 1.300.000 habitantes, cuja
economia gira em torno de indústrias montadoras de equipamentos eletrônicos
destinados a exportação, onde a maioria de trabalhadores são mulheres. Essas
operárias são remuneradas com baixos salários, com eles sustentam suas famílias
e tentam fugir da pobreza absoluta enfrentando um regime de trabalho de quase
escravidão
E
essa população feminina vem sendo cruelmente aniquilada desde 1993. Segundo
dados da Anistia Internacional, de 1993 a 2006, 398 mulheres de Juarez foram
assassinadas. A maioria dos casos ocorreu quando as mulheres estavam indo ou
voltando das fábricas. Segundo informações não oficiais, há cerca de 600
mulheres desaparecidas em Juarez.
Para
nos deixar ainda mais indignados, há o fato de que todos os cadáveres revelam
que foram vítimas de violências sexuais, mutiladas e desfiguradas e todas elas
foram estranguladas, sendo que nem todas puderam ser identificadas.
Pior. Ficaram desaparecidas por um dia e até semanas, até que o corpo fosse
encontrado e, segundo exames, a maioria das mortes ocorreu dias após o
desaparecimento, o que significa que passaram por momentos de tortura, de
orgias sexuais e outros padecimentos.
É
realmente uma situação lamentável, que não recebe apoio da mídia e nem a
atenção devida dos órgãos que poderiam amenizar o problema. Deixando brecha
para a impunidade.
E
mais triste: diversos depoimentos sigilosos apontam que os policiais do estado
de Chihuahua ameaçam a população e têm ligação com traficantes. Sabe-se também
que diversos grandes empresários financiaram matadores de aluguel para
raptar mulheres, para que eles pudessem usá-las em orgias sexuais e depois
serem mortas. O governo e a polícia coagem a imprensa que não denuncia
esses horrores para o mundo e o povo da cidade, temeroso, cala-se.
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