terça-feira, 13 de novembro de 2012

Absurdos Mundiais


           Estava assistindo um filme no Corujão. Estava totalmente despretensiosa quanto à qualidade do filme... Eis que não só o filme era bom, como, também, me despertou o interesse quanto à questão feminina na Ciudad de Juarez, no México. O filme era, “Cidade do Silencio”, com Jennifer Lopez (que ganhou prêmio da anistia internacional pela atuação). Suspeita-se de bloqueios na rede de distribuição. Isso tem sentido, já que eu assisti só na madrugada.
Muitas vezes pensamos, ingenuamente,  que as situações limite, de urgência, são exclusividades do continente Africano ou de países em guerra. Porém, temos que pensar nos lugarejos do mundo, como esta cidade, ou tantos outros “buracos” do mundo esquecidos.
Se “jogarmos” no Google: Ciudad de Juarez, logo veremos que esta é, considerada, a cidade mais perigosa do mundo.
Em um site de turismo aparece:
Se o seu roteiro de viagens inclui uma parada em Ciudad Juarez, no México, talvez seria melhor saber que de acordo com a Citizen’s Council for Public Security, uma associação que se ocupa da defesa de vítimas de delitos, esta seria a cidade mais violenta do mundo, com 191 homicídios a cada 100 mil habitantes”.
A cidade fica ao norte do México, no estado de Chihuahua, fronteira com o Texas. Cerca de 1.300.000 habitantes, cuja economia gira em torno de indústrias montadoras de equipamentos eletrônicos destinados a exportação, onde a maioria de trabalhadores são mulheres. Essas operárias são remuneradas com baixos salários, com eles sustentam suas famílias e tentam fugir da pobreza absoluta enfrentando um regime de trabalho de quase escravidão
E essa população feminina vem sendo cruelmente aniquilada desde 1993. Segundo dados da Anistia Internacional, de 1993 a 2006, 398 mulheres de Juarez foram assassinadas. A maioria dos casos ocorreu quando as mulheres estavam indo ou voltando das fábricas. Segundo informações não oficiais, há cerca de 600 mulheres desaparecidas em Juarez.      
Para nos deixar ainda mais indignados, há o fato de que todos os cadáveres revelam que foram vítimas de violências sexuais, mutiladas e desfiguradas e todas elas foram  estranguladas, sendo que nem todas  puderam ser identificadas. Pior. Ficaram desaparecidas por um dia e até semanas, até que o corpo fosse encontrado e, segundo exames, a maioria das mortes ocorreu dias após o desaparecimento, o que significa que passaram por momentos de tortura, de orgias sexuais e outros padecimentos.
É realmente uma situação lamentável, que não recebe apoio da mídia e nem a atenção devida dos órgãos que poderiam amenizar o problema. Deixando brecha para a impunidade.
E mais triste: diversos depoimentos sigilosos apontam que os policiais do estado de Chihuahua ameaçam a população e têm ligação com traficantes. Sabe-se também que diversos  grandes empresários financiaram matadores de aluguel para raptar mulheres, para que eles pudessem usá-las em orgias sexuais e depois serem  mortas. O governo e a polícia coagem a imprensa que não denuncia esses horrores para o mundo e o povo da cidade, temeroso, cala-se.

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