“Acordei com as tarefas já batendo à minha
cabeça. Passar no banco, comprar bebida, olhar o mapa da festa na Internet...
Era Sexta-feira Santa, data em que os
cristãos lembram o julgamento, a paixão, a crucificação, a morte e a sepultura
de Jesus Cristo, através de diversos ritos religiosos. Um dia de reflexão,
jejum e abstinência. Para todos? Só para os cristãos? Para todos os cristãos?
Precisava ir ao mercado comprar alguma bebida para o almoço entre amigos, mas
era Sexta-feira Santa, pela lógica nada iria estar aberto. Um amigo que me
acompanhava disse na certeza: “Onde você está indo? O mercado está fechado,
hoje é feriado!”. E falei: “Veremos”. Ao chegar no mercado eu estava certa. O
mercado estava aberto: “nem todo mundo é Cristão”, disse meio sem pensar e de
forma espontânea, mas depois refleti, e cheguei a conclusão de que uma parcela
muito pequena da população é, de fato Cristã, e segue os ritos e dogmas
religiosos à risca.”
E
foi assim, que passei a minha última Sexta-feira.
Vemos
que o motivo da maioria das pessoas celebrarem a data, é pelo puro e simples
fato de termos um feriado prolongado, onde podemos descansar, beber um monte,
sair e viajar.
O
nosso sistema econômico também influencia muito, ou até mesmo é o que
determina. A Páscoa significa vender chocolate e coelhinhos de pelúcia. O
feriado prolongado significa rede hoteleira aquecida e estradas lotadas.
O
capitalismo tem essa característica mesmo de englobar, massificar e coisificar
tudo! Perdemos o verdadeiro sentido e significado das coisas em nome do
capital, de quanto se pode lucrar.
A
palavra Páscoa significa “passagem”, tanto para os Judeus quanto para os
Cristãos. No sentido Judaico, a Páscoa (Êxodo 12:18,19; 13:3-10) é
a comemoração da saída do povo de Israel da escravidão do Egito. Para os
Cristãos (como os católicos e os protestantes) a Páscoa simboliza a morte de Jesus,
que morreu em nosso lugar para nossa redenção, bem como a promessa de
ressurreição e segunda vinda.
Mas eu fico pensando se há
sentido em manter tais comemorações religiosas como feriados nacionais. As
pessoas e a econômia utilizam estas datas de forma oportuna, ganham, lucram,
faturam... Mas as mensagem e os significados ficam perdidos, assim como o
próprio homem está perdido, dilacerado e não se compreende mais. O sentido dos
valores estão perdidos, e na relação homem-objeto, o objeto está mais
valorizado.
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