terça-feira, 13 de novembro de 2012

O atual significado do feriado



 “Acordei com as tarefas já batendo à minha cabeça. Passar no banco, comprar bebida, olhar o mapa da festa na Internet... Era Sexta-feira Santa, data em que os cristãos lembram o julgamento, a paixão, a crucificação, a morte e a sepultura de Jesus Cristo, através de diversos ritos religiosos. Um dia de reflexão, jejum e abstinência. Para todos? Só para os cristãos? Para todos os cristãos? Precisava ir ao mercado comprar alguma bebida para o almoço entre amigos, mas era Sexta-feira Santa, pela lógica nada iria estar aberto. Um amigo que me acompanhava disse na certeza: “Onde você está indo? O mercado está fechado, hoje é feriado!”. E falei: “Veremos”. Ao chegar no mercado eu estava certa. O mercado estava aberto: “nem todo mundo é Cristão”, disse meio sem pensar e de forma espontânea, mas depois refleti, e cheguei a conclusão de que uma parcela muito pequena da população é, de fato Cristã, e segue os ritos e dogmas religiosos à risca.”
E foi assim, que passei a minha última Sexta-feira.
Vemos que o motivo da maioria das pessoas celebrarem a data, é pelo puro e simples fato de termos um feriado prolongado, onde podemos descansar, beber um monte, sair e viajar.
O nosso sistema econômico também influencia muito, ou até mesmo é o que determina. A Páscoa significa vender chocolate e coelhinhos de pelúcia. O feriado prolongado significa rede hoteleira aquecida e estradas lotadas.
O capitalismo tem essa característica mesmo de englobar, massificar e coisificar tudo! Perdemos o verdadeiro sentido e significado das coisas em nome do capital, de quanto se pode lucrar.
A palavra Páscoa significa “passagem”, tanto para os Judeus quanto para os Cristãos. No sentido Judaico, a Páscoa (Êxodo 12:18,19; 13:3-10) é a comemoração da saída do povo de Israel da escravidão do Egito. Para os Cristãos (como os católicos e os protestantes) a Páscoa simboliza a morte de Jesus, que morreu em nosso lugar para nossa redenção, bem como a promessa de ressurreição e segunda vinda.
Mas eu fico pensando se há sentido em manter tais comemorações religiosas como feriados nacionais. As pessoas e a econômia utilizam estas datas de forma oportuna, ganham, lucram, faturam... Mas as mensagem e os significados ficam perdidos, assim como o próprio homem está perdido, dilacerado e não se compreende mais. O sentido dos valores estão perdidos, e na relação homem-objeto, o objeto está mais valorizado.

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