Quando
relacionamos amor e sexualidade, articulamos a dualidade Eros e Thanatos (pulsão de morte), ou seja, o
amor sexual também pode ser, muitas vezes, destrutivo.
A
força do mito do amor, Eros, está sustentada
pela promessa de felicidade plena nas chamadas "histórias de amor". A
estratégia desse mito é manter essa promessa de felicidade, ou transformando-o
em proibido.
Freud
já observara que o amor tende a funcionar como modelo de busca da felicidade e
reconhecera sua natureza ilusória no sentido de consolar e tornar tolerável o
mal-estar próprio do desejo humano.
A
relação entre amor e castração, tem como fundamento uma perda original,
colocada por Freud em termos de objeto perdido de uma satisfação primeira e
origem de um profundo e permanente anseio por seu retorno, o qual recebe o nome
de “desejo”.
O
amor seria, então, uma tentativa de fazer desaparecer a falta original do
desejo. Se o encontro amoroso proporciona, por um lado, um certo apaziguamento
ao alimentar a ilusão da completude perdida, por outro lado, basta amar para
que o sujeito se reencontre.
Lacan
dirá que, quando se trata do amor, o que está em jogo é a suposição de um ser
no outro. Iludido pelo significante (que sugere que haja ser), o sujeito busca,
com o amor, fazer signo, suspendendo, ainda que provisoriamente, o deslizamento
infinito do desejo.
Já
a relação entre amor e gozo, aponta para o excesso, para além do prazer. O
sofrimento revela uma possibilidade de enlace com o gozo e, portanto, de manifestar
sua face mortífera, porque o prazer não mais o limita.
Para
Freud, o amor está ligado mais à idealização, enquanto para Lacan, à sublimação.
Na obra freudiana, o amor é, a princípio, situado do lado da pulsão sexual,
enraizando-se no narcisismo primário. Ou seja, amor e sexo compartilham, em sua
constituição, o prazer parcial ligado, de início, à boca.
Amar
como sinônimo de devorar seria, então, a primeira configuração do amor. Além
disso, o amor seria independente do ódio (forma mais primitiva de relação com o
objeto), opondo-se a este apenas sob a regência do princípio de prazer.
Com
a introdução do conceito de narcisismo, implicando em que o eu é também objeto
da pulsão sexual, Freud distingue duas formas de amar, mas não se descuida de
discutir os destinos pulsionais. A escolha amorosa seria marcada, então, pela
divisão da libido entre o eu e o objeto, implicando uma supervalorização do eu (narcisista)
ou do objeto.
Assim,
o sujeito ama para ser amado. A paixão (além do amor, o ódio e a ignorância) é,
justamente, a alienação do desejo no objeto. Em sua face simbólica,
diferentemente, o eixo do amor é situado, não no objeto, mas naquilo que o
objeto não tem. Como dom ativo, o amor visa o ser, para além da captura
imaginária, sustentando-se e equivocando-se na trama significante. O amor revela
um esforço, sempre precário, de fazer frente ao real da falta. Eis o nosso
legado amoroso, projetar no outro o nosso eu, para nos reconhecermos.
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