terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quando há amor?


Quando relacionamos amor e sexualidade, articulamos a dualidade Eros e Thanatos (pulsão de morte), ou seja, o amor sexual também pode ser, muitas vezes, destrutivo.
A força do mito do amor, Eros, está sustentada pela promessa de felicidade plena nas chamadas "histórias de amor". A estratégia desse mito é manter essa promessa de felicidade, ou transformando-o em proibido.
Freud já observara que o amor tende a funcionar como modelo de busca da felicidade e reconhecera sua natureza ilusória no sentido de consolar e tornar tolerável o mal-estar próprio do desejo humano.
A relação entre amor e castração, tem como fundamento uma perda original, colocada por Freud em termos de objeto perdido de uma satisfação primeira e origem de um profundo e permanente anseio por seu retorno, o qual recebe o nome de “desejo”.
O amor seria, então, uma tentativa de fazer desaparecer a falta original do desejo. Se o encontro amoroso proporciona, por um lado, um certo apaziguamento ao alimentar a ilusão da completude perdida, por outro lado, basta amar para que o sujeito se reencontre.
Lacan dirá que, quando se trata do amor, o que está em jogo é a suposição de um ser no outro. Iludido pelo significante (que sugere que haja ser), o sujeito busca, com o amor, fazer signo, suspendendo, ainda que provisoriamente, o deslizamento infinito do desejo.
Já a relação entre amor e gozo, aponta para o excesso, para além do prazer. O sofrimento revela uma possibilidade de enlace com o gozo e, portanto, de manifestar sua face mortífera, porque o prazer não mais o limita.
Para Freud, o amor está ligado mais à idealização, enquanto para Lacan, à sublimação. Na obra freudiana, o amor é, a princípio, situado do lado da pulsão sexual, enraizando-se no narcisismo primário. Ou seja, amor e sexo compartilham, em sua constituição, o prazer parcial ligado, de início, à boca.
Amar como sinônimo de devorar seria, então, a primeira configuração do amor. Além disso, o amor seria independente do ódio (forma mais primitiva de relação com o objeto), opondo-se a este apenas sob a regência do princípio de prazer.
Com a introdução do conceito de narcisismo, implicando em que o eu é também objeto da pulsão sexual, Freud distingue duas formas de amar, mas não se descuida de discutir os destinos pulsionais. A escolha amorosa seria marcada, então, pela divisão da libido entre o eu e o objeto, implicando uma supervalorização do eu (narcisista) ou do objeto.
Assim, o sujeito ama para ser amado. A paixão (além do amor, o ódio e a ignorância) é, justamente, a alienação do desejo no objeto. Em sua face simbólica, diferentemente, o eixo do amor é situado, não no objeto, mas naquilo que o objeto não tem. Como dom ativo, o amor visa o ser, para além da captura imaginária, sustentando-se e equivocando-se na trama significante. O amor revela um esforço, sempre precário, de fazer frente ao real da falta. Eis o nosso legado amoroso, projetar no outro o nosso eu, para nos reconhecermos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário