terça-feira, 13 de novembro de 2012

A questão do tempo



A questão do tempo tem sido um dos maiores problemas filosóficos desde a Antiguidade grega. Problemas como a passagem do tempo, a forma como ele flui, a linearidade do tempo... são antigos e atuais. O homem antigo queria entender a abstração, já o homem contemporâneo quer apreendê-lo, dominá-lo, assim como já dominou a natureza. Hoje a busca é pela rapidez, para termos a ilusão de que está sobrando tempo, mas para que? Para fazermos cada vez mais coisas em um curto espaço de tempo.
Para o filósofo Aristóteles, no livro Física, o tempo não poderia existir, já que nenhuma das suas partes existe: o instante presente, por não ter duração precisa; o passado que já aconteceu; e o futuro que ainda não é. Já para Immanuel Kant, o tempo é uma estrutura da relação do sujeito com ele próprio e com o mundo.
Comumente dividimos o tempo em passado, presente e futuro. No entanto, recentemente pesquisadores brasileiros e britânicos identificaram uma tribo amazônica que não tem noção do conceito abstrato de tempo.
Os Amondawa, não possuem as estruturas linguísticas que relacionam tempo e espaço. Ou seja, não conseguem projetar o futuro. Nós, “civilizados”, projetamos até a nossa vida toda, ou ao menos tentamos.
Segundo os pesquisadores a tribo não tem uma palavra equivalente a “tempo”, nem mesmo para descrever períodos como “mês” ou “ano”. Uma curiosidade é que os membros da tribo assumem diferentes nomes em diferentes estágios da vida, à medida que assumem novos status dentro de sua comunidade. Ou seja, esta é a forma em que eles percebem que o tempo está passando, mas não que isso implica em “comemorar” anualmente, com números, a passagem do tempo. Diferentemente de nós, que comemorados a passagem de cada ano, que é equivalente ao aumento de nossa idade. Isso é surpreendente e totalmente novo na antropologia!
No entanto, os pesquisadores notaram que quando os Amondawa aprendem o português, eles facilmente incorporam a noção do tempo em sua linguagem. Assim, a falta de noção de temporalidade pode estar vinculada a falta semântica na língua deles. Ou pode ser que se origina da ausência da "tecnologia do tempo", como: calendário e relógios.
O que vale é esta reflexão, pois hoje em dia não paramos para pensar que o tempo é pura abstração, subjetivação, já incorporamos os minutos e os segundos. Seria melhor aprendermos com os Amondawa e voltar a um estado puro, onde o tempo não é tudo!

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