A questão do
tempo tem sido um dos maiores problemas filosóficos desde a Antiguidade grega.
Problemas como a passagem do tempo, a forma como ele flui, a linearidade do
tempo... são antigos e atuais. O homem antigo queria entender a abstração, já o
homem contemporâneo quer apreendê-lo, dominá-lo, assim como já dominou a
natureza. Hoje a busca é pela rapidez, para termos a ilusão de que está
sobrando tempo, mas para que? Para fazermos cada vez mais coisas em um curto
espaço de tempo.
Para o
filósofo Aristóteles, no livro Física, o tempo não poderia existir, já
que nenhuma das suas partes existe: o instante presente, por não ter duração
precisa; o passado que já aconteceu; e o futuro que ainda não é. Já para Immanuel
Kant, o tempo é uma estrutura da relação do sujeito com ele próprio e com o
mundo.
Comumente
dividimos o tempo em passado, presente e futuro. No entanto, recentemente pesquisadores
brasileiros e britânicos identificaram uma tribo amazônica que não tem noção do
conceito abstrato de tempo.
Os Amondawa,
não possuem as estruturas linguísticas que relacionam tempo e espaço. Ou seja,
não conseguem projetar o futuro. Nós, “civilizados”, projetamos até a nossa
vida toda, ou ao menos tentamos.
Segundo os
pesquisadores a tribo não tem uma palavra equivalente a “tempo”, nem mesmo para
descrever períodos como “mês” ou “ano”. Uma curiosidade é que os membros da tribo
assumem diferentes nomes em diferentes estágios da vida, à medida que assumem
novos status dentro de sua comunidade. Ou seja, esta é a forma em que eles
percebem que o tempo está passando, mas não que isso implica em “comemorar”
anualmente, com números, a passagem do tempo. Diferentemente de nós, que
comemorados a passagem de cada ano, que é equivalente ao aumento de nossa
idade. Isso é surpreendente e totalmente novo na antropologia!
No entanto,
os pesquisadores notaram que quando os Amondawa aprendem o português, eles
facilmente incorporam a noção do tempo em sua linguagem. Assim, a falta de
noção de temporalidade pode estar vinculada a falta semântica na língua deles.
Ou pode ser que se origina da ausência da "tecnologia do tempo",
como: calendário e relógios.
O que vale é
esta reflexão, pois hoje em dia não paramos para pensar que o tempo é pura
abstração, subjetivação, já incorporamos os minutos e os segundos. Seria melhor
aprendermos com os Amondawa e voltar a um estado puro, onde o tempo não é tudo!
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